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Ano 2016
Edição N° 166
Março/2016

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Engenheiro Nº 166 – Março/2016

 

Ao leitor

Superar os desafios

Engenheiro traz como matéria de capa nesta edição o início da segunda turma de graduação em Engenharia de Inovação, curso oferecido pelo Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec). A instituição, que tem o Seesp como entidade mantenedora e a FNE como apoiadora, desenvolveu uma metodologia arrojada de ensino que tem se mostrado extremamente promissora.

Também na pauta, a mobilização em torno do “Compromisso pelo desenvolvimento”, à qual a FNE está engajada para garantir mudanças no rumo da economia nacional e a volta do crescimento.

Em entrevista, o presidente da entidade, Murilo Celso de Campos Pinheiro, fala sobre os planos para a gestão 2016-2019 que se inicia neste mês de março e defende a ação firme pelo desenvolvimento nacional. Para tanto, ele propõe a articulação da engenharia unida em todo o Brasil.

Em homenagem ao 8 de março, Dia Internacional da Mulher, Engenheiro traz relatos de profissionais da engenharia sobre os empecilhos que precisam vencer numa profissão tradicionalmente masculina e as conquistas alcançadas.

Em C & T, a luz que pode curar, desenvolvida pelo estudante de engenharia Caio Guimarães. Atualmente em fase de testes, a inovação pode beneficiar sobretudo os pacientes diabéticos. E mais os que acontece nos estados.

Boa leitura.

 

Opinião

Engenharia e serviços públicos

No contexto atual da sociedade do conhecimento, em que as pessoas anseiam pela ampliação, aperfeiçoamento e universalização dos serviços públicos, a eficiência do Estado é uma exigência cada vez mais crescente na aplicação dos recursos destinados a essa finalidade.

A oferta eficiente de serviços públicos é um dos aspectos mais importantes das políticas de desenvolvimento econômico e social no mundo contemporâneo. A prestação desses serviços com qualidade é requisito essencial para a efetiva produtividade de um sistema econômico, assim como para a melhoria do bem-estar social da população como um todo. E uma engenharia estruturada, consolidada e atuante é a base para a inovação e o desenvolvimento tecnológico, instrumento imprescindível para a competitividade de uma nação.

Por outro lado, é notória a necessidade de um corpo técnico permanente da área da engenharia e da agronomia, nos quadros de servidores públicos nas esferas federal, estadual e municipal, como forma de garantir o amplo domínio do acervo técnico existente, bem como o planejamento, execução e manutenção das obras públicas de engenharia.

Nesse sentido, a FNE e os seus sindicatos filiados desenvolvem ações permanentes de mobilização dos profissionais da engenharia e da sociedade organizada para o debate e apresentam proposições para a melhoria da qualidade do planejamento, execução e manutenção das obras e serviços, assim como a otimização dos investimentos públicos visando o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida da população.

Também, a FNE lidera o movimento nacional da Engenharia Unida, que propõe a ação coesa dos profissionais e de suas entidades representativas, de forma a superar a crise econômica no Brasil e encontrar o caminho da retomada do seu desenvolvimento.

Essa iniciativa visa dotar o Estado de uma infraestrutura necessária para implementação das políticas públicas, notadamente, as de produção e distribuição de alimentos e produtos, mobilidade urbana, saneamento ambiental e habitação, de modo a garantir o desenvolvimento sustentável.

Contribuir para a conscientização da população e dos gestores públicos sobre a necessidade de implantação de políticas de Estado, com base no conhecimento técnico e científico, para a solução dos problemas que afligem a sociedade é a expectativa desse movimento.

Berilo Macedo – Presidente do Senge-MA

 

8 de março

Pela igualdade de gênero na engenharia

 

Rosângela Ribeiro Gil

 

O ingresso de mulheres na engenharia, em dez anos, passou de 24.554 em 2003 para 57.022 em 2013, indicando um crescimento de 132,2%. No mesmo período, a inserção masculina ampliou-se em 78,3%. É o que aponta estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para a FNE, apresentado em outubro do ano passado. O cenário se deu, explica o presidente Murilo Celso de Campos Pinheiro, durante o ciclo virtuoso para a engenharia do País e é notícia alvissareira de “uma maior igualdade de gênero na profissão”.

Todavia, a área ainda tem a predominância masculina, com 79,2% ante 20,8% de mulheres. Para a diretora Regional Norte da federação, Maria Odinéa Melo Santos Ribeiro, os números refletem uma cultura dos estereótipos de gênero, segundo a qual a habilidade técnica não é coisa para mulher.

Clarice Maria de Aquino Soraggi, diretora Regional Sudeste da FNE, enfrentou dificuldades ao optar pela carreira. “Há 42 anos, sofri muito preconceito”, relata a engenheira mecânica graduada em 1974. No entanto, os obstáculos foram devidamente superados: “Não desisti do sonho de ser engenheira. Trabalhei na área petroquímica e depois no setor ferroviário, onde, posso dizer, alcancei minha realização profissional.”

Embora a mentalidade retrógrada persista no mundo contemporâneo, ela é rechaçada por quem está disposto a ocupar todos os espaços na sociedade. É o caso da estudante de Engenharia de Inovação Juliana Akai. Aluna do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), ela não tem dúvida de que as mulheres são “donas de si” e estão libertando-se dos pensamentos e atitudes machistas.

AdrielleMikaelle Silva da Costa, que cursa Engenharia Civil no Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), destaca as conquistas femininas nos últimos anos. Para ela, a pecha de “sexo frágil” vem ficando pelo caminho.  “Somos capazes de atuar em campo onde há predominância masculina, com racionalidade, equilíbrio e inteligência intelectual”, defende.

 

Discriminação sutil

A professora de Sociologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Bárbara Castro, alerta porém para a discriminação menos escancarada. “O mundo do trabalho não é neutro na questão de gênero. Ao contrário, ele é altamente marcado pelas características ditas naturais do homem, que não têm no seu horizonte a maternidade”, explica. “Por isso, muitas vezes a profissional é excluída de cargos de direção, gerência e coordenação”, critica.

Tal situação é bastante real na opinião  da diretora de Relações Institucionais da FNE, Thereza Neumann Santos de Freitas. “Pelo fato de ser mulher, existe a maternidade e um tratamento apropriado em termos de legislação trabalhista. Isso vai refletir no salário e nas oportunidades dentro de uma empresa”, testemunha.

A diretora de Relações Internas da federação, Maria de Fátima Ribeiro Có, diz não ter enfrentado preconceitos no exercício da atividade profissional. “As discriminações que senti combati na hora; as relações ficaram tranquilas e respeitosas.” Contudo, ela percebe uma “demarcação” de território na engenharia e arrisca avaliar que isso se deve a condicionamentos educacionais e culturais. “Lá na escola, no livro em que você aprende matemática, por exemplo, sempre tem a foto de um homem ou de um menino fazendo contas, nunca de uma menina.”

Kamila Barros Bonfim, engenheira ambiental de Mato Grosso e diretora do Senge-MT, acredita que a inserção das mulheres na engenharia se deve, também, ao surgimento de novos cursos na área. Apesar disso, diz, “ainda enfrentamos resistência de gênero, por sermos mais emocionais e mães”.

A professora da Unicamp confirma tal percepção, apontando divisão tácita no ambiente de trabalho entre o que seriam características masculinas e femininas. “Às mulheres cabem habilidades que se pensam como naturais ao feminino, ligadas ao ambiente doméstico, como ser mais emotiva, delicada, atenta aos detalhes e que estejam sempre prontas a cuidar do outro.” Não há nenhum problema em ser assim ou não, mas muitas vezes tal perfil torna a mulher invisibilizada e vista como incapaz de discutir e ter uma intervenção mais técnica e menos emocional. “Por outro lado, o que se espera é que os homens sejam mais racionais e proativos.”

Castro explica que o discurso de que a mulher consegue desenvolver várias atividades ao mesmo tempo é uma maneira de a profissional se empoderar dentro desses espaços. “Como elas são poucas ainda e atropeladas o tempo inteiro, o que acontece é destacar características que são vistas como naturalmente femininas como uma vantagem, por isso esse discurso da polivalência aparece sempre com muita força.” Mas há que se ter cuidado com isso, adverte a professora: “Sem perceber, reproduzimos estereótipos de gênero que nos empurram para determinados nichos da profissão e impedem ascender num plano de carreira.”

 

Lutar para mudar

Para a pesquisadora da Unicamp, as profissionais devem desconstruir a ideia do que é trabalho ou habilidade nata de homem ou de mulher. “É preciso aprender a valorizar o ‘fazer’ do outro independentemente de gênero e partilhar dúvidas, decisões e conquistas.” Nesse sentido, Thereza Freitas incentiva as mulheres a não se calarem frente a qualquer tipo de assédio ou discriminação e procurarem seus direitos. Na opinião da dirigente,  deve-se atuar na luta pela valorização profissional no lugar certo, que é o  sindicato.

Para Odinéa Ribeiro, enfrentar desafios é agenda prioritária, até porque a batalha feminina por igualdade não beneficia apenas as mulheres. “A nossa luta ajuda a sociedade a ser melhor”, conclui.

 

Sindical

 

FNE na luta por emprego e crescimento

 

Soraya Misleh

Signatária do documento “Compromisso pelo desenvolvimento”, lançado em dezembro último e entregue no dia 15 do mesmo mês à presidente Dilma Rousseff, a federação segue na mobilização por agenda positiva ao País. Sob esse norte, participou em 17 de fevereiro último de reunião do Fórum de Debates sobre Políticas de Emprego, Trabalho e Renda e Previdência Social, no Palácio do Planalto, em Brasília. O espaço foi criado pelo governo no ano passado e é integrado pelo setor empresarial, pelos sindicatos e pelos ministérios do Trabalho, da Fazenda, do Planejamento e da Indústria.

O encontro reuniu o movimento sindical em torno da pauta comum, o que assegurou importante vitória: garantir que se mantenha como centro do debate a luta contra a recessão, rumo ao desenvolvimento. “São essas medidas que irão fortalecer todo o movimento da engenharia”, avaliou o vice-presidente da FNE, Carlos Bastos Abraham, presente na oportunidade.

Conduzindo os trabalhos do fórum, o ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto, declarou no ensejo que o governo estava agregando à agenda do fórum o tema da previdência, mas destacou que as discussões sobre a retomada do crescimento terão continuidade. A unidade de ação sindical ali expressa demonstrou que não interessa neste momento a discussão de reforma da Previdência Social, tampouco é aceitável a quebra de quaisquer direitos dos trabalhadores. A avaliação é do consultor sindical da FNE, João Guilherme Vargas Netto. “Sem a retomada do crescimento, é impossível falar de Previdência”, enfatizou o vice-presidente da Força Sindical, Miguel Torres.

Com tal horizonte, as entidades sindicais reafirmaram durante a reunião a necessidade da implantação, como política econômica, das diretrizes apontadas no “Compromisso pelo desenvolvimento”. Posição endossada por Abraham: “Queremos a recuperação da atividade produtiva, com a geração de empregos. Precisamos de um plano de contingência imediato para cortar a onda de desemprego, ponto mais crucial neste momento.”

Os sete pontos constitutivos relacionados no documento são: retomar rapidamente o investimento público e privado em infraestrutura produtiva, social e urbana, ampliando os instrumentos para financiá-la, bem como criando ambiente regulatório que garanta segurança jurídica; retomar e ampliar as inversões no setor de energia, como petróleo, gás e fontes alternativas, em especial na Petrobras; destravar o setor de construção, por meio de instrumentos institucionais adequados que garantam a atividade econômica e a manutenção dos empregos; criar condições para o aumento da produção e das exportações da indústria de transformação; priorizar a adoção de políticas de incentivo e sustentabilidade do setor produtivo (agricultura, indústria, comércio e serviços), de adensamento das cadeias produtivas e de reindustrialização do País; ampliar, em condições emergenciais, o financiamento de capital de giro para as empresas, com contrapartidas sociais e ambientais; adotar políticas de fortalecimento do mercado interno para incremento dos níveis de consumo, de emprego, renda e direitos sociais.

Diante da abertura do Executivo às discussões de medidas que visem a recuperação do crescimento, o diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, destaca: “A expectativa é que o governo conduza esse debate nos próximos dias e semanas, pensando alternativas para se alcançar o resultado pretendido.” Ele lembrou que na reunião do fórum propôs-se, entre as iniciativas, a retomada da mesa nacional da construção civil, para que se discutam iniciativas que levem a investimentos no setor e tenham como meta a redução da informalidade – o segmento é um dos líderes na transição do emprego formal para sem carteira assinada, com índice de 18,2% (dados apurados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, relativos ao período entre final de 2014 e terceiro trimestre de 2015).

O movimento sindical defendeu ainda a necessidade de preservação dos postos de trabalho, com apresentação pelo governo de medidas para sua proteção, criando condições para evitar aumento do desemprego.

O presidente da FNE, Murilo Celso de Campos Pinheiro, que vem participando das mobilizações do “Compromisso pelo desenvolvimento”, aponta dados preocupantes na engenharia. “Após crescer cerca de 87% entre 2003 e 2013, o emprego do engenheiro hoje está em declínio. Em 2015 registrou saldo negativo entre admissões e demissões de 20.500 postos. É preciso mudar o rumo da economia”, afirmou.

 

Batalha difícil

Os problemas continuam existindo, como salienta Vargas Netto: “Cumprindo o seu papel institucional, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, e o vice-ministro da Previdência, Carlos Eduardo Gabas, fizeram exposições quase catastróficas.” E acrescenta: “Mas garantimos a nossa presença unificada e com conhecimento de causa nos grupos temáticos que vão discutir temas relacionados à Previdência Social.” Os grupos, segundo Rossetto, fazem parte de um “roteiro de discussão” que envolverá representantes dos trabalhadores, aposentados e empresários. Ele frisou que pretende encaminhar ao Congresso Nacional, no prazo de dois meses, proposta de reforma da Previdência.

Para Vargas Netto, portanto, apesar da vitória da unidade sindical, a guerra que se prevê é longa e difícil. Assim, não se pode baixar a guarda. Corrobora com essa visão Ganz Lúcio: “A agenda pela retomada do crescimento é muito difícil de ser conduzida neste contexto adverso, mas surge exatamente pela urgência que se coloca no cenário atual.” Na sua opinião, interessa ao trabalhador, ao empresário e ao governo. “Não há outro caminho senão investir nessa agenda, cuja derrota, se houver, será de todo o País.”

Confira o “Compromisso pelo desenvolvimento” em http://goo.gl/NJSmKj.

 

Engenharia

Isitec recebe 25 novos alunos

 

Deborah Moreira

 

Aconteceu em 15 de fevereiro último a aula inaugural da segunda turma de Engenharia de Inovação do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), que tem o Seesp como entidade mantenedora e é apoiado pela FNE. O grupo ingressante é formado por 25 estudantes, que começam a consolidar a característica do corpo discente da instituição. Entre os aprovados no processo seletivo, que atraiu 409 inscritos, nove saíram de escolas públicas, sendo cinco de escolas estaduais, três de Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) e um de escola federal. Eles têm entre 17 e 28 anos, e a maioria é da cidade de São Paulo.

“Esse é um novo perfil do estudante do Isitec que está se desenhando e acredito que o tenhamos obtido com a nossa metodologia, que neste ano fez uma avaliação mais fina e acabou captando esses jovens. Diferentemente do ano passado, na primeira turma, bastante heterogênea, a de agora é formada em sua maioria por jovens e muitos vindos de escolas técnicas de excelente qualidade”, explica José Luís Marques López Landeira, professor de Laboratório de Linguagens do instituto e responsável pela elaboração do vestibular. Selecionados a partir da soma do teste de análise de aptidão lógica online, do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e de prova de análise e interpretação de linguagens com 20 questões de múltipla escolha e uma redação, preparadas e aplicadas pelo Isitec, todos contam com bolsas de estudo custeadas pelo Seesp e ajuda de custo de R$ 500,00.

O físico e diretor de graduação, José Marques Póvoa, lembra que o critério foi o mesmo de 2015, porém ressalta: “Aprendemos muito com a primeira turma e fizemos mudanças. Elas nunca podem acabar, porque senão vira um curso tradicional”, conta, frisando a importância de integrar conteúdos tradicionais aos modernos.

Quem atesta a importância dessa evolução é João Marcos Sales Oliveira, 18, que foi da primeira turma da graduação em 2015. Ele desistiu do curso em outubro último, depois de enfrentar dificuldades de adaptação à capital paulista, já que vem de longe, de Rondônia. “As intempéries de deslocamento para o Isitec, somadas às dificuldades do curso e à saudade da família falaram mais alto”, justifica. Quando voltou à sua cidade, o arrependimento bateu: “Precisei prestar novamente o vestibular e faria outra vez se fosse necessário. Eu já tinha avisado o professor Póvoa que eu não desistiria facilmente”, comemora Oliveira, também aprovado no processo seletivo atual. Na sua avaliação, a prova deste ano foi bem mais exigente.

 

Aptidões valorizadas

Oliveira reúne características que foram bastante valorizadas no exame deste ano. “Queremos um estudante que consiga compreender o que ouve, o que lê e que relacione as aprendizagens entre si e com o mundo em que vive”, conta Landeira. Também não pode ser somente voltado à aplicação de cálculos, tradicionais à engenharia. “Leonardo da Vinci era engenheiro, assim como Manoel Bandeira. Ou seja, precisa ter sensibilidade para dialogar com todas as questões”, completa o professor.

Quem também tem esse perfil é Thais Martins Rego, 20 anos. Moradora da zona sul de São Paulo, estudou em escola pública e não fez cursinho. “Soube do curso por um amigo da minha mãe no final do ano e consegui fazer a inscrição a tempo. Todos na família ficaram felizes, principalmente meu tio, que fez matemática, mas sempre quis ser engenheiro”, conta Martins, que será a primeira da família na profissão. Thais Dornelas Mariano Rodrigues Meireles, 28, por sua vez, afirma que desde os 17 anos quer ser engenheira. “É a oportunidade da minha vida”, enfatiza ela, que já é formada como tecnóloga em alimentos e em curso técnico de segurança do trabalho.

Casada e com uma filha de cinco anos, Meireles se encantou com a “proposta desafiadora”. Para Lincoln Luiz Victorio Filho, 21 anos, foi a terceira tentativa de ingressar na área, após dois anos de cursinho. Quando soube do Isitec pela mãe, que é metroviária, logo se interessou. “Sempre quis fazer engenharia e havia tentado outras faculdades. Consegui entrar no curso de mecânica, na Fatec (Faculdade de Tecnologia de São Paulo), à noite, há 1,5 ano. Quero tentar manter junto com o Isitec”, conta. O estudante diz estar um pouco assustado com a nova metodologia, cuja dinâmica depende, em suas palavras, “de os alunos correrem atrás dos conteúdos”. Questionado se pensa em desistir, responde imediatamente: “Não, quero ficar. É esse tipo de desafio que eu precisava.”

A nova metodologia não intimidou Sandor Fleury Pereira, 19 anos, que fez escola pública federal e passou também no vestibular da Universidade Federal do ABC (UFABC). No entanto, preferiu a graduação do Isitec. “O curso é genial. No ensino médio sempre estudei sozinho. É muito chato. Aqui (no instituto) a dúvida é sempre de um grupo, que procura resolver conjuntamente. É diferente de tudo o que me falavam sobre uma faculdade”, exclama, lembrando que os professores estão sempre disponíveis para a troca de informação e compreensão do processo. Ele já está completamente envolvido e entrou para a turma dos que não conseguem sair no horário. “Entro às 8h e deveria ficar até umas 16h ou 18h, dependendo do dia. Mas quando vejo, já são oito da noite”, surpreende-se. “Agora sei que é isso que eu quero: ser engenheiro de inovação, poder trabalhar em diferentes áreas ou numa indústria de um produto que não é propriamente material, mas que tenha valor para as pessoas, para a construção de uma sociedade melhor”, conclui.

 

Saiba como foi o primeiro dia de aula, que contou com a presença do presidente da FNE, Murilo Pinheiro: http://goo.gl/pGbAZF.

 

Sindical

Senges em ação

CE

Eleitos representantes do sindicato no Crea

Em votação na sede do Senge-CE, foram escolhidos no final de janeiro os representantes do sindicato que vão compor o Conselho de Entidades de Classe do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará (Crea-CE). O pleito elegeu representantes de quatro diferentes modalidades para o triênio 2016-2019: Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia de Segurança do Trabalho e Agronomia. O conselho, formado por profissionais de 11 entidades, participará de decisões importantes nas reuniões de plenárias, para ajudar a solucionar problemas relacionados à área de atuação, visando o benefício da comunidade. Além disso, seus membros julgarão processos que chegam ao órgão.

 

MA

Entidade define plano de ação para 2016

Com o objetivo de apresentar e avaliar as atividades desenvolvidas em 2015 e discutir metas para 2016, elencando metodologias para alcançá-las, ocorreu reunião da diretoria do Senge Maranhão, no dia 30 de janeiro último, bem como a 7ª Reunião Ordinária de Diretoria Executiva, gestão 2015-2018, conduzida pelo presidente Berilo Macedo da Silva. Entre discussões e deliberações, foi avaliada e apresentada a “Carta de São Luís”, com propostas do seminário “Melhoria de qualidade de obras e serviços públicos de engenharia e agronomia do Maranhão”. Também na pauta a Contribuição Sindical 2016, o processo de negociação da Convenção Coletiva de Trabalho com os sindicatos patronais que representam a construção civil (Sinduscon), a construção pesada (Sinicesp) e a engenharia e arquitetura consultiva (Sinaenco). Estavam presentes os dirigentes do Senge Maria Odinéa Melo Santos Ribeiro, Denis Campos Sodré, Agenor Jaguar, José Ribamar da Fonseca e Antonio de Pádua Costa Oliveira. Participaram ainda o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Maranhão (Crea-MA), Cleudson Campos, e os diretores da entidade Sedivan Santana da Costa, Clovis Filho e Rita de Cássia Cunha. No final, foi estabelecido o “Plano de Ação 2016”.

 

AL

Servidores protestam contra exonerações

Em 19 de janeiro último, aconteceu uma manifestação na sede do Senge Alagoas contra as 205 demissões, no dia 14 do mesmo mês, na Companhia Alagoana de Recursos Humanos e Patrimônio (Carhp). A atividade contou com a participação do presidente do sindicato, Disneys Pinto da Silva, e diretores da entidade. Segundo o diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Obras e Habitação de Alagoas (Sintohal), Cícero Lima, não se sabe que critérios foram adotados para as dispensas. “Queremos nos reunir com o governador para que seja feita uma revisão das demissões, para garantir, pelo menos, o trabalho de quem não pode se aposentar”, afirmou.

 

GO

Mobilização contra privatização da Celg

O mês de janeiro foi de intensa luta contra a privatização da Companhia Energética de Goiás Distribuição (Celg). No dia 12, os trabalhadores participaram de ato em Brasília em defesa da empresa pública. A manifestação contou com diversas entidades, entre elas FNE e Senge Goiás. Após ocuparem locais estratégicos na Capital Federal – a Praça dos Três Poderes e o Ministério de Minas e Energia –, a comissão entregou documento em defesa da soberania do setor elétrico nacional ao ministro- -chefe em exercício da Secretaria de Governo da Presidência da República, Luiz Azevedo. No dia 19, houve encontro com ministros da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, e da Casa Civil, Jacques Wagner, no Palácio do Planalto. No dia 27, haveria nova audiência com os ministros para exigir posicionamento quanto ao cancelamento da privatização. Contudo, eles tinham sido convocados pela presidente Dilma Rousseff para agenda emergencial, frustrando a reunião. No dia seguinte, empregados da Celg participaram de assembleia seguindo deliberação tomada em Brasília. Foram discutidas as pautas: informes da nacionalização da luta impulsionada pelos sindicatos e movimentos sociais do Brasil, que ocuparam espaços públicos e ruas de Goiás, Brasília e outros estados exigindo a retirada da Celg do Programa Nacional de Desestatização; a luta para que os governos federal e estadual não entreguem o patrimônio dos goianos à iniciativa privada; e manutenção da assembleia permanente.

 

PI

PPP impedirá investimentos federais no estado

O presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Henrique Pires, confirmou que a transferência dos serviços de saneamento básico de Teresina (PI) à iniciativa privada será um impeditivo aos repasses de recursos para investimentos no setor. O Governo do Estado e a Prefeitura de Teresina lançaram em janeiro último edital para subconcessão dos serviços de água e esgoto por meio de uma parceria público-privada. Antonio Florentino de Souza Filho, presidente do Senge Piauí,  lamenta que nem o anúncio oficial da proibição por uma autoridade como o presidente da Funasa “traga mudança de postura” em relação ao tema. Para ele, o sanea­mento estadual corre sério risco de entrar em colapso. “O Senge é contra esse processo, porque todo o investimento será retirado das tarifas e a população pagará muito mais caro por conta disso”, argumenta. Após denúncias do sindicato, o Governo do Piauí fez consulta pública ao Ministério das Cidades para saber se haverá a proibição no caso da subconcessão de Teresina. Entretanto, Florentino acusa o governo de tentar enganar o órgão federal ao afirmar que a subconcessão não será onerosa, situação em que não há proibição de investimentos federais, de acordo com a Portaria 280/13, do Ministério das Cidades. “O governo fez a consulta afirmando que a subconcessão é não onerosa, o que não é verdade. Em Teresina, o processo será oneroso, caracterizado pelo item do edital que aponta o repasse da empresa para o governo de R$ 88.030,00 como contribuição ao setor. Tenta enganar o Ministério para manter os repasses federais”, afirma.

 

Entrevista

País precisa da engenharia unida

Rita Casaro

Neste mês, o engenheiro Murilo Celso de Campos Pinheiro dá início a um novo mandato à frente da FNE. A gestão 2016-2019 começa oficialmente em 16 de março; a posse solene ocorre dia 28, na Assembleia Legislativa de São Paulo. Reeleito presidente da federação durante o IX Congresso Nacional dos Engenheiros (Conse), realizado em outubro último, ele vislumbra desafios significativos para a entidade neste ano de crise econômica, baixo investimento e empregos ameaçados. Enfrentar essa situação de modo a defender os interesses da categoria e a volta do desenvolvimento estarão, portanto, na agenda da federação de forma prioritária. Para que se vire o jogo e o País volte a crescer, o dirigente defende uma articulação da engenharia unida.  Nesta entrevista, Pinheiro fala também sobre trabalho da FNE, o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento” e o Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec).

Neste mês de março, tem início uma nova gestão da FNE. Quais os planos para essa nova etapa à frente da entidade?

O plano é dar continuidade ao projeto que vem sendo desenvolvido pela nossa federação, dando conta dos novos desafios que se apresentam, especialmente diante da crise econômica que vivemos. Há cerca de uma década, a FNE vem atuando de forma a consolidar uma rede de representação, mobilização e debate nacional entre os seus 18 sindicatos filiados, aos quais estão ligados cerca de 500 mil profissionais. Isso fortaleceu a nossa entidade nacionalmente e também ampliou a capacidade de ação dos sindicatos nos estados. Têm sido travadas lutas fundamentais em defesa dos engenheiros e outros profissionais representados pelas entidades e vitórias importantes estão sendo conquistadas. Na pauta, continua o trabalho para que o salário mínimo da categoria, conforme a Lei 4.950-A/66, seja respeitado. Também seguimos na mobilização para a aprovação da carreira pública de Estado para os engenheiros, o que significará valorização profissional, mas também um salto na capacidade de as administrações públicas darem conta de  suas demandas em termos de planejamento, elaboração de projetos, execução de obras e fiscalização.

 

O “Cresce Brasil”, lançado em 2006, continua na pauta da entidade?

Sem dúvida alguma. O projeto “Cresce Brasil” (www.crescebrasil.org.br), além de ser nossa senha para o debate sobre desenvolvimento e nosso instrumento de mobilização nesse campo, também é um propulsor da nossa ação em defesa dos engenheiros. Lançado há dez anos, ele vem sendo constantemente atualizado e tem focado os temas que a FNE considera prementes em cada momento. Neste ano, faremos uma edição “Cidades”, que nos ajudará a travar a discussão sobre as condições de vida da população nos municípios e o desenvolvimento local. Como sempre, nossa proposta é partir de um diagnóstico dos problemas e apresentar sugestões de soluções factíveis. Entre os temas em pauta, estão habitação, transporte e mobilidade, saneamento ambiental, internet e iluminação públicas.

 

Qual a importância do Isitec nessa luta pelo desenvolvimento?

O Isitec (www.isitec.edu.br) é um dos mais valiosos resultados dos debates do projeto “Cresce Brasil”, que sempre teve entre seus temas a necessidade de formar engenheiros de qualidade. Essa discussão que existia no âmbito da FNE foi abraçada pelo Seesp, que decidiu criar uma instituição de ensino superior que fosse referência no País. A graduação em Engenharia de Inovação teve início no ano passado e, em fevereiro último, aconteceu a aula inaugural da segunda turma. O projeto tem sido um sucesso e estamos convictos de que, em alguns anos, chegarão ao mercado profissionais não só aptos a ter carreiras de sucesso, mas a contribuir verdadeiramente para o nosso desenvolvimento e para a melhoria da vida da população. Os meninos e meninas que estudam no Isitec, num curso de cinco anos em período integral, estão recebendo uma sólida formação, que vai além das matérias técnicas e inclui linguagens e empreendedorismo, entre outros conteú­dos essenciais. Serão multiespecialistas capazes de atuar em qualquer segmento de forma inovadora.

 

O momento, do ponto de vista da economia nacional e do mercado de trabalho da categoria, é mais preocupante que quando do início do mandato anterior, em 2013. Que desafios que se colocam?

O desafio do momento é não permitir que o Brasil retroceda à situação que vivemos nos anos 1980 e 1990, quando se notabilizou o engenheiro que virou suco. Após um longo período de estagnação, o Brasil voltou a ter expansão econômica e a vida do povo melhorou, especialmente a partir de 2007.  Nessa fase, a engenharia voltou a ter protagonismo graças aos investimentos públicos e privados que foram feitos. O mote principal do nosso projeto “Cresce Brasil” era a necessidade de haver crescimento econômico para que os engenheiros tivessem vez. Isso se demonstrou totalmente verdadeiro. Entre 2003 e 2013, houve incremento de 87,4% no emprego formal do engenheiro em todo o País. Com a crise econômica que vem se instalando no Brasil, esse cenário já é outro e desde 2014 há saldo negativo no balanço admissões/demissões na engenharia. O grande desafio é mudar esse rumo. Deve haver investimentos, e o governo é o grande responsável por isso. Uma política de corte de gastos e aumento de juros não nos trará bom resultado.  Portanto, é essa a luta que a FNE tem diante de si.

 

Nesse contexto entra a ideia da Engenharia Unida?

Sim! A FNE está totalmente comprometida com a luta pela valorização da categoria, a defesa de seus direitos e o desenvolvimento nacional. Mas sabemos que as dificuldades de monta da atualidade exigem uma coesão poderosa de forças da área tecnológica para ajudar a empurrar o País na direção correta e inserir as nossas profissões devidamente no debate público. Trata-se, portanto, de unir os profissionais e as entidades que os representam, as empresas e escolas de engenharia em torno dessa bandeira.  Juntos, tenho certeza que superaremos as dificuldades do momento. Podemos e devemos dar essa contribuição à sociedade brasileira.

 

 

C&T

Universitário cria luz que combate bactérias

Jéssica Silva

Quando a engenharia conversa com outras áreas, como a da saúde ou biologia, por exemplo, o resultado é transformador. Quem aposta nesse conceito é o estudante de Engenharia Elétrica da Universidade de Pernambuco (UPE) Caio Guimarães. Aos 25 anos, ele é o inventor de um protótipo portátil que utiliza luz em uma determinada frequência capaz de matar bactérias e micro-organismos presentes em infecções e ferimentos.

Azuluz é o nome da startup de biotecnologia liderada por Guimarães, cujo produto inicial em desenvolvimento é uma alternativa ao tratamento de feridas de pessoas com diabetes similar ao de fototerapia, uma técnica muito utilizada em doenças de pele. O método consiste em expor o ferimento infeccionado a uma luz que emite ondas num determinado comprimento com diversas propriedades, entre elas a antibacteriana. Ou seja, a luz trabalhada pela empresa é capaz de matar bactérias das quais os antibióticos convencionais não dão conta ou demoram muito para ter efeito, como ocorre nos casos de pessoas com diabetes, que são hoje mais de 14 milhões no País, segundo dados da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

Guimarães conta que a enfermidade foi escolhida como foco porque muitos pacientes sofrem com a má cicatrização que a doença acarreta e acabam contraindo graves infecções e até perdendo membros a partir de um pequeno corte. Devido ao uso prolongado de antibióticos em tais situações, que pode variar de meses a anos, o paciente tem grandes chances de apresentar efeitos adversos hepáticos, renais e gastrointestinais. Segundo o estudante, em testes realizados, já se obteve uma cicatrização em 15 dias de tratamento fototerápico. “A luz azul, associada com a sua variação, que é a luz vermelha, possibilita não somente a desinfecção, como também a regeneração do tecido”, explica. O método, conforme ele, propicia a emissão da luz com propriedades que ativam a circulação, produzindo um efeito anti-inflamatório.

 

Ciências sem fronteiras

A tecnologia de luz medicinal, da qual poderão se beneficiar os pacientes de diabetes no Brasil, começou a ser desenvolvida nos Estados Unidos quando Guimarães estudava no laboratório Wellman Center, uma fusão da escola de Medicina de Harvard com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), pelo programa Ciências Sem Fronteiras. Lá, o aluno de engenharia cursou disciplinas voltadas à área médica. Os cientistas do MIT já haviam descoberto a parte biológica da ação da luz em bactérias multirresistentes. “Eles não estavam preocupados em transformar aquilo em algo viável, era apenas uma pesquisa em progresso a pedido do exército americano”, conta Guimarães. Procurando dar sentido prático ao conhecimento, ele começou a fazer paralelamente um equipamento que possibilitasse utilizar a luz como um tratamento.

Adotando uma visão da engenharia ao que era um projeto de microbiologia, o jovem fez um protótipo, semelhante a uma lanterna, em que a luz medicinal seria alocada, sendo assim portátil e de fácil acesso. “Funcionava com uma bateria de relógio, em uma lanterninha de 2x3 centímetros, enquanto o laser (do laboratório) era um trambolho, em uma mesa de 2x2 metros, que precisava de uma tomada”, compara.

A “lanterna” acabou fazendo sucesso no laboratório americano. Guimarães foi premiado pelo instituto como melhor projeto apresentado para comunidade científica de Boston, Massachusetts, em 2014. Teve ainda o apoio para uma nova invenção: microagulhas, como fibras óticas, de um material biodegradável e biocompatível, que pudessem levar a luz antibactericida a tecidos mais profundos do corpo, aumentando a capacidade do tratamento fototerápico. “Um dos principais empecilhos que tínhamos encontrado na aplicação era a profundidade do alcance da luz”, relata.

 

Empreendimento

De volta ao Brasil, o universitário trouxe a pesquisa e a ideia de transformá-la em realidade. A startup em desenvolvimento, com parcerias de empresas privadas e também o apoio da UPE, já planeja começar a etapa de testes clínicos da luz em humanos, trabalhando com o médico Francisco Bandeira, um dos autores do livro “Endocrinologia e diabetes”, de 2015. “A nossa meta, em longo prazo, é substituir os remédios antibióticos. Por enquanto não encontramos nenhuma dificuldade”, comemora Guimarães. Segundo ele, não houve efeitos colaterais nos testes realizados em laboratório. Segundo Bandeira, os estudos com animais apresentaram eficácia terapêutica. “Há um rigor científico para a conclusão dos testes, mas o sistema é bastante promissor”, declara.

Para Guimarães, sua invenção está em um cenário da engenharia que caminha lentamente, pois ele acredita que falta um olhar inovador e empreendedor na integração do curso com outras áreas. “Estamos na universidade e, muitas vezes, o estudante não participa de projetos conciliados com medicina, química, fica apenas na sua grade. Eu vejo o engenheiro como o inventor, que coloca a mão na massa e muitas áreas carecem disso.” Ele também critica a falta de incentivo aos pesquisadores brasileiros. “O nível acadêmico do engenheiro brasileiro e do americano é igual. Aliás, temos um potencial absurdo, mas muitas vezes não temos a oportunidade de colocar em prática.”

 

          

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